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  • Marcos Galasso

Larguei tudo no Brasil e mudei pro Canadá! Valeu a pena?


Nesse post, falarei um pouco sobre minha história, o que me levou a sair do Brasil e algumas lições aprendidas nesse processo.

Depois da faculdade de medicina, eu fiz a residência médica de cirurgia geral e, posteriormente, a residência médica de cirurgia torácica. Confira toda a história nesse vídeo.


Na época que estava na residência de cirurgia geral, já me interessava pela ideia de ter algum tipo de experiência em um hospital no exterior. E devido às conexões que alguns professores meus tinham na época, fui aprovado para um estágio observacional de 1 mês na Espanha, na região de Madri.


Entrada do Hospital Universitário Puerta de Hierro, localizado nas imediações de Madri.

Lá pude ver como era o serviço de cirurgia torácica em um hospital internacional e tive contato com transplante de pulmão, procedimento que não era realizado na minha instituição. Essa experiência foi incrível, mas o que considero a maior descoberta e aprendizado que tive enquanto estava lá foi que o maior serviço de transplante de pulmão do mundo era o de Toronto (eu não fazia nem ideia!).


Essa informação ficou guardada comigo e ao voltar pro Brasil e fazer a residência médica de cirurgia torácica, tive a oportunidade de realizar mais uma vez um estágio internacional quando estava no último ano de residência. Dessa vez, tinha como primeira opção ir pra Toronto, conhecer o famoso serviço de cirurgia torácica e transplante de pulmão, mas não conhecia ninguém desse serviço. E é aí que entra a primeira lição dessa fase da minha vida: Pró-atividade. Por não conhecer ninguém aqui, não ter nenhum contato ou conexão com médicos daqui, eu tive que correr atrás! Isso porque para ser aceito aqui em Toronto, mesmo que seja somente como observer (em um programa que você vem só para acompanhar e observar como é o serviço), você precisa de um sponsor (alguém que aceite a sua vinda e te “acompanhe” enquanto você estiver aqui). Então, comecei minha busca na internet para verificar quais eram os médicos que trabalhavam nesse serviço e, por coincidência, descobri que tinha um cirurgião brasileiro trabalhando aqui! Eu mandei um e-mail para essa pessoa me apresentando, contando que eu era um residente de cirurgia torácica no Brasil e expressando meu desejo de passar 1 mês aqui em Toronto. Para minha surpresa, esse cirurgião aceitou ser meu sponsor (desde que todas as despesas fossem arcadas por mim, claro!). E foi isso que eu fiz, guardei dinheiro, vim pra cá em junho/julho de 2014, passei cerca de 1 mês aqui e tive uma experiência espetacular! O serviço, a estrutura do hospital e o sistema público de saúde do Canadá eram realmente impressionantes!


Observership no Toronto General Hospital (Junho 2014).

Quando estava acabando meu período de estágio aqui, eu novamente fui pró-ativo e marquei uma reunião com meu sponsor onde expressei minha vontade de voltar pra cá pra ter uma experiência mais longa, que envolvesse pesquisa, talvez pós-graduação, experiência clíncia, etc. Para minha surpresa (novamente!), ele tinha uma vaga disponível (let’s talk about good timing!!). E é aí que entra a segunda lição que eu aprendi nessa fase da minha vida: muitas vezes temos vergonha ou ficamos acanhados em expressar o que queremos e pedir alguma coisa, mas ao entender que você estará agregando valor e contribuindo de alguma forma com a outra parte envolvida (o serviço, nesse caso), essa relação se torna uma relação ganha-ganha (win-win), que é boa para todo mundo. E o resultado atingido é incrível e pode até te aproximar do seu sonho e objetivo iniciais!


Concluindo a história, voltei pro Brasil, terminei a residência de cirurgia torácica, arrumei toda a papelada, vendi tudo aquilo que eu tinha lá e em setembro de 2015 comecei minha aventura aqui! E o resto é história: research fellowship, mestrado, clinical fellowship! E, quem sabe o que o futuro reserva??!!!


Um abraço,


Dr. Marcos




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